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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

05
Set21

Um momento de coragem # 3

Maria Araújo

chuva.jpg

 

Estrada  da Póvoa de Lanhoso - Braga, 17h30 da tarde, a chuva caía há mais de meia hora, meti-me a caminho de casa naquele dia de inverno, noite escurada carga de água que caíra um pouco antes de me meter a caminho de casa.

A estrada estava completamente encharcada, não se via nada, nem as linhas separadoras das vias da estrada.

O trânsito no sentido Braga- PVL não existia, mas nós precisávamos de chegar a casa.

Conduzia a 20 à hora, os meus olhos colados ao pára-brisas. Confesso que estava cheia de medo.

A minha colega de viagem estava pior que eu, dizia que não conseguiríamos chegar a Braga, talvez fosse melhor encostarmos à berma,numa das rectas da estrada, até passar algum carro que servisse de "guia".

Mas eu continuava,devagar, muito devagar.

Quando chegámos a Braga por todo o lado via-se água, água, água.

No túnel junto ao hotel Meliã, que eu esperava ver entupido, circulava-se bem para quem ia para o centro.

Do outro lado da faixa, junto à rotunda um rio de água seguia o seu percurso, frenético.

Na minha faixa estava mais calmo, até ao momento em que me aproximei da ponte por cima da rotunda, e um grande lago de água fazia com que os carros ficassem na fila para contorná-la, talvez porque se sentissem mais seguros. 

Eu teria de a subir, porque era o meu caminho, mas não via nenhum carro fazê-lo, até que, de repente, vi uma viatura sair da fila, fez viu-se um  splash de água por todo o lado,  subiu a ponte.

"Se ele conseguiu, eu também consigo", comentei com colega.

Senti algum receio,  a minha colega pedia para não a subir, não sabíamos como estaria do outro lado.

Enchi-me de coragem, passei aquele grande charco de água com muito cuidado e, devagar, subi a ponte.Quando a descemos, do outro lado da via o trânsito estava parado, e para nosso alívio não havia qualquer charco de água quando chegamos ao fim da descida.

"Foste corajosa meteres-te ao caminho, conduziste com cuidado e segurança, atreveste-te a subir a ponte. Oxalá nunca mais aconteça uma tempestade como esta, mas contigo estou segura." comentou.

Semáforos desligados, meti por uma rua com menos trânsito para deixar a colega no centro da cidade. A chuva parara, deixei-a no cruzamento da avenida e meti por outra, praticamente sem trânsito, e que dá acesso à minha rua.

Um suspiro de alívio, quando cheguei a casa. 

 

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