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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

01
Out21

uma metáfora para a vida # 30

Maria Araújo

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Momentos menos bons que temos na nossa vida, seja por problemas físicos, seja  por pensamentos negativos que nos azucrinam a mente, muitas das vezes sem termos consciência  de como apareceram, quando sentimos que há algo que falha em nós, ou naquela  naquela pessoa que gostamos e queremos-lhe bem, que a saúde mental está fragilizada, procurar  e/ ou dar ajuda é muito importante.

A doença física,felizmente, com a ciência em grande avanço e conhecimento, cura-se.

E quando há luz ao fundo do túnel, luta-se para mudar pensamentos e afastar os fantasmas da (de)pressão, podemos ter fé de que, apesar de tudo, a vida vale a pena ser vivida.

Há dias, um familiar disse-me:"és muito corajosa". 

Não sou. 

Penso muito na vida, na família, no que posso fazer quando alguém precisa de mim.E tento encontrar a força necessária para não mostrar fragilidade.

É este o meu conceito de metáfora da vida.

 

missão cumprida, neste  desafio da Ana 

 

 

 

06
Set21

um objecto cotidiano - # 5

Maria Araújo

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imagem daqui

 

Mala de mão

Há pessoas que trazem a mala cheia de tudo.

Eu, não.

O meu tudo é o mínimo que preciso quando saio de casa: chaves de casa e do carro, telemóvel, espelho pequeno, lenços de papel, porta-moedas, uma ou duas máscaras, e o que ficará para sempre nos meus hábitos: o gel de mãos.

Gosto delas à tiracolo, e de mão. 

Actualmente,uso as de tiracolo, mas os meus ombros têm dado sinal de que, mesmo com pouco peso, a idade está apesar e eles já não suportam peso.

Vindo o outono, mudo de modelo. Usarei enfiada no braço, com os mesmo objectos do cotidiano.

 

 

 

05
Set21

Um momento de coragem # 3

Maria Araújo

chuva.jpg

 

Estrada  da Póvoa de Lanhoso - Braga, 17h30 da tarde, a chuva caía há mais de meia hora, meti-me a caminho de casa naquele dia de inverno, noite escurada carga de água que caíra um pouco antes de me meter a caminho de casa.

A estrada estava completamente encharcada, não se via nada, nem as linhas separadoras das vias da estrada.

O trânsito no sentido Braga- PVL não existia, mas nós precisávamos de chegar a casa.

Conduzia a 20 à hora, os meus olhos colados ao pára-brisas. Confesso que estava cheia de medo.

A minha colega de viagem estava pior que eu, dizia que não conseguiríamos chegar a Braga, talvez fosse melhor encostarmos à berma,numa das rectas da estrada, até passar algum carro que servisse de "guia".

Mas eu continuava,devagar, muito devagar.

Quando chegámos a Braga por todo o lado via-se água, água, água.

No túnel junto ao hotel Meliã, que eu esperava ver entupido, circulava-se bem para quem ia para o centro.

Do outro lado da faixa, junto à rotunda um rio de água seguia o seu percurso, frenético.

Na minha faixa estava mais calmo, até ao momento em que me aproximei da ponte por cima da rotunda, e um grande lago de água fazia com que os carros ficassem na fila para contorná-la, talvez porque se sentissem mais seguros. 

Eu teria de a subir, porque era o meu caminho, mas não via nenhum carro fazê-lo, até que, de repente, vi uma viatura sair da fila, fez viu-se um  splash de água por todo o lado,  subiu a ponte.

"Se ele conseguiu, eu também consigo", comentei com colega.

Senti algum receio,  a minha colega pedia para não a subir, não sabíamos como estaria do outro lado.

Enchi-me de coragem, passei aquele grande charco de água com muito cuidado e, devagar, subi a ponte.Quando a descemos, do outro lado da via o trânsito estava parado, e para nosso alívio não havia qualquer charco de água quando chegamos ao fim da descida.

"Foste corajosa meteres-te ao caminho, conduziste com cuidado e segurança, atreveste-te a subir a ponte. Oxalá nunca mais aconteça uma tempestade como esta, mas contigo estou segura." comentou.

Semáforos desligados, meti por uma rua com menos trânsito para deixar a colega no centro da cidade. A chuva parara, deixei-a no cruzamento da avenida e meti por outra, praticamente sem trânsito, e que dá acesso à minha rua.

Um suspiro de alívio, quando cheguei a casa. 

 

05
Set21

uma memória feliz # 1

Maria Araújo

 desafio da Ana

 

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Sorriso

Na sala de espera do consultório, olhava o aparelho de televisão.

Uma paisagem asiática passava naquele momento. 

Prestei mais atenção.

No  canal Odisseia, passava um documentário sobre a vida de uma aldeia, que presumi ser no Vietname. Uma jovem mestiça explicava a vida na aldeia.

Uma senhora magra, vestida de calças, um lenço atado ao chapéu, apertado no seu queixo,  dizia que tinha perdido tudo: casa, móveis, campos, colheitas.

Observei as pessoas que estavam na sala de espera.  Embora o som não estivesse alto, todos os presentes, que antes olhavam o telemóvel, foram alertados pela voz do televisor.

Um idoso empurrava um carro carregado de madeira, e puxado por um boi. A magra senhora falava com o idoso e sorria, ao mesmo tempo que a se ouvia voz do comentador; " fazia aquela longa viagem diariamente da aldeia(...), transportava a madeira para a povoação".

 E a imagem fixava a magra senhora, sempre sorridente, ao mesmo tempo que falava com o idoso.

O idoso seguiu o seu caminho.

Ela ficou com a jovem mestiça.Esta fez uma perguntara à senhora que traduzida pelo comentador para portugês, foi:  "ficou sem nada e sempre com esse sorriso? ".

Emocionei-me. Fiquei feliz ver que uma  mulher humilde, com ar inocente, sorria apesar das adversidades da vida.

Gente pobre, vivendo da agricultura e que as cheias levaram tudo, inclusive a casa, mas o sorriso permanecia.

Ficou-me na memória este sorriso.

 

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