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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

20
Set21

uma tarde de domingo # 19

Maria Araújo

Ela sentia-se triste.

Fui a casa dela dar-lhe 

Desabafos que teve comigo, era preciso que ela saísse de casa.

Sugeri darmos um passeio pelo centro histórico, evitando passar nas ruas que tinham muita gente.

Andamos pela zona da Sé. E entramos na catedral..

Estava a começar a homília.

Já não me lembrava de ouvir uma homília tão sensível, tão real, tão actual.

O padre falou das pessoas doentes de cancro; dos idosos que querem morrer porque os filhos não os visitam, não querem saber deles; dos doentes paliativos; dos doentes em cuidados intensivos; da necessidade que há de as famílias e os amigos se aproximarem destes doentes e ajudá-los, dando-lhes companhia, alento,coragem para lutar.

Ela, ao meu lado, baixou a cabeça. Percebi que chorava.

As lágrimas vieram aos meus olhos, tentei evitar que caíssem pelo rosto.

É que uma das frases que o padre disse, tocou-nos às duas.

" A medicina está muito avançada. Hoje, há  medicamentos que tiram as dores físicas. Mas as dores da alma ficam".

Foi um aperto nos nossos corações,

Não ficamos para assistir à missa.

Saímos pela lateral, cantava-se o fado de Coimbra.

Ela esteve um ano a estudar em Coimbra. Adorava a cidade. Adorava Fado de Coimbra.

Só ouvimos dois,estava  no final.

E um foi dedicado ao Minho.

Despedimo-nos com um abraço.

Cada uma de nós foi para casa mais libertas, mais serenas.

fado.jpg

 

 

 

18
Set21

uma pergunta intrigante # 18

Maria Araújo

"tenho de escrever o meu nome?"

Na minha secção de voto,  a fila era pequena, contrariamente ao que aconteceu em eleições anteriores. 

Já estava dentro da sala,  surge da cabine de voto o rosto de uma senhora, nos seus 70 e muitos, que pergunta:

" Tenho de escrever o meu nome, ou só devo pôr a cruz?"

Os membros da mesa não ouviram a pergunta, respondi imediatamente: " Só a cruz".

" Ah, está bem!", respondeu.

Junto à porta,uma pequena fila de pessoas esperavam a sua vez de entrar. Olhei para trás. Todos riam com a pergunta da senhora.

Ri-me e questionei com o meu decote: " Como é possível a senhora fazer uma pergunta destas?! Será que nunca votou? Estará esquecida de como se vota?"

Afraude-eleitoral -.jpg

(Fui buscar este post a um outro que escrevi há quatro anos, por esta altura das autárquicas)

 

 

 

17
Set21

um gesto inspirador# 17

Maria Araújo

Há sete anos, escrevi isto

na verdade, e sem me lembrar que viria encontrar este post, ainda hoje, estava a pôr a ração no prato da Kat, e antes que ela começasse a comer,e porque as oportunidades são poucas porque ela nem sempre está disposta a mimos, peguei nela fiz-lhe os mimos de sempre: passar os meus dedos pela cabeça, pelo pescoço, pela garganta, pelo corpo.

E abracei-a.

É um gesto que habitualmente faço,sobretudo quando ela está a dormitar, levanta a pálpebra e eu digo " olá minha  gatinha linda!"

 

(foto de 2014)

 

 

17
Set21

um desafio empolgante " 16

Maria Araújo

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Em 2010 ( já???!!!), participei, com alguns colegas, numa experiência que jamais pensaria passar: fazer a via ferrata e outras modalidades radicais no Parque Diver Lanhoso.

No caso da via ferrata era  fora do parque visto que esta constava em subir e descer o Castelo da Póvoa de Lanhoso.

Quando nos dirigimos para o local da via ferrata, não queria acreditar no que via: íamos subir a rocha.

Mostraram e explicaram os materiais que íamos usar para a subida. Formaram-se dois ou três grupos, o primeiro,o guia, orientava os outros que estavam atrás, todos ligados pelas cordas.

Não podia falhar um pé deste ou do outro que se seguia, porque a acontecer, todos caíam. E os primeiros aventureiros começaram a subida. O "meu" grupo era o último e neste, eu era a segunda.

Enquanto tive os pés assentes em terra, senti-me confiante, mas quando comecei a ver o quão estreito era o terreno e a altura a que se encontravam alguns dos apoios dos pés, pensei que não iria conseguir.

No primeiro obstáculo tive a ajuda de um colega. Baixa que sou, as minhas  pernas não conseguiam alcançar o apoio.
E a partir daqui, a coisa complicou-se, mas tive de me valer da minha confiança, segurança, e vontade em vencer o desafio,porque quem estava atrás de mim precisava da minha segurança.

Não podia temer nem vacilar. Não olhava para trás. Ora subindo, ora caminhando, primeiro o pé esquerdo, depois o direito, mosquetão preso, uma mão nas cordas, outras nos apoios, alguns destes mais distanciados, obrigavam-me a um esforço, concentração e equilíbrio dobrados pois, uma falha minha, poderia levar a que batesse com o corpo na pedra e/ou caísse. Tinha de manter a distância de 3 metros em relação à pessoa que ia à minha frente e do que vinha atrás de mim. Por isso, vacilar, nunca!

E, por vezes, embora segura de mim, dizia para o meu colega: "nas que me meti! Agora, L, aguenta, não podes voltar atrás".

E o meu companheiro do lado direito dizia: "voltar atrás não é possível".

E cheguei ao cimo da rocha, segura, tranquila, vencedora. Aliás,todos. Porque quem me seguia confiou em mim.E no cimo da rocha, sentimo-nos os conquistadores deste empolgante desafio.

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(Este texto foi escrito algures num post do desafio dos pássaros)

 

 

15
Set21

um medo forte # 15

Maria Araújo

Sismo.jpg

 

o meu medo não é só um. são vários. são aqueles que não posso enfrentar ou superar.

posso superar, com a minha força e vontade, e até quando for possível, uma doença mais ou menos grave.

não sei se um dia a terei. o que sei é que vou como todos vamos, não ficarei cá para semente,como se costuma dizer.

mas a guerra, a fome, um terramoto, um massacre, são demasiado fortes para eu ter medo.

tenho muito medo, sim!

muitos de vós não éreis nascidos, houve um forte sismo que abanou o país.

criança que era, não dei por nada... não  fosse a minha mãe, desesperada e cheia de medo, acordar os filhos para tentarmos fugir de casa.

felizmente, senti por alguns segundos, mas  foram suficientes para ter medo.

aliás, tenho pavor a sismos, como a minha mãe tinha.

e penso muito neles.

 

 

14
Set21

uma previsão do futuro # 14

Maria Araújo

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pertencemos a um mundo cheio de imprevistos e de acontecimentos que avançam  rápido e inesperadamente. 

ae  voz do coração dá-nos alguns avisos. 

dos outros, é duro ouvir a realidade dos factos comprovados, seja num sussurro, seja num ruído estrondoso. dói, de ambas as formas.

quando seguimos um caminho que nos parece trazer equilíbrio e segurança, e de repente salta-se para o outro lado da barreira, mais longo e árduo, sem hipótese de retrocesso,  a esperança é de que  poderá trazer a cura dos males interiores e exteriores.

é esta a minha previsão do futuro que, espero, a curto prazo, poderá trazer os seus frutos.

 

13
Set21

um animal de estimação # 13

Maria Araújo

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A minha gata,com certeza, que fará 11  anos na próxima quarta-feira ( se me esquecer de lhe dar os parabéns,fica este post a ela dedicado) tinha ela pouco mais de um mês quando a fui buscar ao gatil.

Onze anos depois,continua muito dominadora do seu espaço,não gosta que o meu sobrinho neto  venha cá para casa.E ele que gosta dela, desafia-se e tenta tocá-la.E eu sempre com os olhos em cima dos dois, não vá ela deitar-lhe as garras.

E eu agarro a mão do menino e digo-lhe que ela quer dormir.

Depois, no banco onde tenho uma manta para ela se sentar a dormir uma sesta (ela dorme onde lhe apetece) ele pega na manta e sacode-a, e volta a pôr no lugar.

Tenho pena que a Kat seja mazinha. Se fosse como os gatos da minha irmã, o menino teria mais sorte, embora eles fujam das pessoas que vão lá a casa.

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13
Set21

uma vista da janela # 12

Maria Araújo

 

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Da janela do meu quarto vejo as torres de uma igreja do centro histórico da cidade. Também via as do largo de Santa  Cruz, mas a modernice da construção civil aumentarem andares às casas que estavam a cair, tiraram-me essa vista.

Da janela das traseiras, vejo o monte da Santa Marta das Cortiças, que visitei este fim de semana, pela primeira vez na minha vida, e de onde se tem uma vista linda do mar, da  Falperra e igreja de Santa Maria Madalena, do Sameiro, e parte da cidade.

À noite, dá gosto ver as luzes no alto do monte.

 

Participantes::
Ana de Deusbii yueCristina AveiroJoão-Afonso MachadoJorge OrvélioJosé da XãMaria Araújo

 

 

13
Set21

uma nuvem no céu # 11

Maria Araújo

 

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Gosto de olhar o céu, gosto das nuvens, não aquelas ameaçadoras de chuva e trovoada,mas as que nos dão lindas formas e nos fazem comparar ou imaginar outras coisas, ou o que já conhecemos.

No fim de semana, que foi excelente,fui andar de baloiço no alto do monte de Santa Marta das Cortiças.

Ao longe,via-se o mar. 

Depois seguimos para o Santuário do Sameiro, e foi então que, com o sol mais baixo, pude fotografar algumas nuvens que se atravessam ao nosso olhar.

E os finais de dia com o pôr-do-sol com nuvens são dos mais bonitos que podemos observar.

 

10
Set21

uma descoberta infantil # 10

Maria Araújo

estou como a Ana de Deus que me apetece escrever a mesma frase até cumprir o mínimo de cem palavras deste desafio.

Descobri nesta minha memória, que já esquece muita coisa, que inocentes que as crianças são, algumas bem malandras e até manipuladoras, que quando a minha mãe me obrigava a vestir o vestido que eu não queria, estendia-me no chão, de barriga para baixo, e arrastava-me para debaixo da cama para sujar o vestido e assim poder vestir o que queria.

Mas a minha mãe não era parva, ralhava-me, e às vezes dava-me um estalo na cara por desobedecer.

 

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