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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

09
Set21

uma experiência triste # 9

Maria Araújo

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Há muitos anos, vivi uma amizade de confidências e de cumplicidade com uma colega de trabalho e que parecia ser para toda a vida.
De repente, percebi que essa pessoa fazia comentário indevidos, tornou-se arrogante, não me olhava de frente.
Eu fazia perguntas a mim mesma sobre o que fizera de errado, via maldade naquele coração.
E não tendo respostas às minhas perguntas, perguntei-lhe o que se passava, o porquê da sua indiferença: " não é nada" . E o seu comportamento continuava.
Dentro de mim existia um sentimento de culpa daquilo que não fiz, a indignação e a dor aumentavam à medida que o tempo passava. Foi uma facada que recebi nas costas.
E foi então que comecei a prestar mais atenção à pessoa. A pessoa que eu pensava ser amiga e altruísta, não passava de uma manipuladora invejosa, que vivia mal com o sucesso de alguns, e bem com o infortúnio de outros, intriguista, criticava tudo e todos que trabalhavam com ela.
Com alguma tristeza pelos anos de amizade ( falsa) que dedicamos, continuar a trabalhar com ela era um suplício, a sua inveja e raiva em alguns momentos eram de ódio.
Acabei o curso, mudei de emprego e profissão, escapei a este venenoso vírus.
Ficou viúva.
Com o respeito que tinha pelo marido, fui ao velório.
Abracei-a.
Os meus olhos foram atingidos por faíscas de ódio.
Olhei o corpo do defunto, da pessoa excelente que foi, e disse-lhe: "Desculpa. Não estou aqui a fazer nada".
E saí com o coração mais triste que nunca.

( este texto é uma parte de outro que escrevi no desafio dos pássaros, aqui)

08
Set21

um rito de passagem # 8

Maria Araújo

 

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Há cerca de três anos, uma amiga confidenciou-me que fizera uma promessa que lhe levaria cinco anos a cumprir,ou mais, se estivesse em incumprimento.

Louvei a atitude que tomou, não porque fosse difícil ou exigisse um sacrífico muito grande, mas pelo tempo que duraria.

Há cerca de dois anos, foi a minha vez de lhe confidenciar algo.

Uma grande cumplicidade entre nós,  disse que ia seguir o seu exemplo, mas de uma forma mais leve: diariamente e sem limite de tempo. Será enquanto eu quiser ou puder.

Curiosamente, sempre que vou para fora, como aconteceu nos cincos dias que estive de férias,  esqueço-me de o fazer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

07
Set21

uma música favorita # 7

Maria Araújo

 

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Tenho várias músicas favoritas, muitas delas dos anos 70 e 80, os anos que vivi a passagem para a vida adulta em pleno.

Um dia, ainda os electrodomésticos eram vendidos num espaço do hipermercado, e passava nos écrans gigantes Freddie Mercury na actuação dos Queen em Wembley.

Parei para ver.

Fui fazer as compras e antes de seguir para as caixas, passei de novo no espaço e trouxe um CD

Letra da autoria de Freddie Mercury, que parece mostrar os conflitos da sua vida interior, é das melhores músicas desta banda e a minha preferida.

 

 "I  see a little silhouetto of a man, Scaramouche , Scaramouche will you do the fandango? ", que atinge o seu apogeu, seguida da parte rock, que me deixa completamente "alucinada" e depois a calma,..."Nothing really matters, Anyone can see, Nothing really matters, Nothing really matters to me".

Adoro e vibro quando escuto esta música. 

Se for no carro, dá-me gozo aumentar o som. 

 

06
Set21

um sonho recorrente # 6

Maria Araújo

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Há noites que sonho muito.

Mas quando se trata de sonhos que me afligem, e de repente acordo, tenho noção  doque sonhei, comento para mim própria " foi um pesadelo, já passou. deita-te".

Os sonhos recorrentes tem que se lhe diga, sobretudo porque sonho com pessoas que são queridas e meigas, falo muito com elas... mas nunca consigo ver-lhes os rostos.

E quando são sonhos de amor (não de sexo)  e não quero que acabem no melhor da coisa, acordo!... E quero voltar a dormir e que o sonho volte. Mas isto nunca aconteceu.

Há anos, conheci uma senhora que me disse que devia ter um caderno e um lápis na mesa de cabeceira, e quando acordasse, durante o sonho, para registar, na hora, o que sonhei.

Com os registos poderia interpretar estes sonhos.

Era o que me faltava! 

 

06
Set21

um objecto cotidiano - # 5

Maria Araújo

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imagem daqui

 

Mala de mão

Há pessoas que trazem a mala cheia de tudo.

Eu, não.

O meu tudo é o mínimo que preciso quando saio de casa: chaves de casa e do carro, telemóvel, espelho pequeno, lenços de papel, porta-moedas, uma ou duas máscaras, e o que ficará para sempre nos meus hábitos: o gel de mãos.

Gosto delas à tiracolo, e de mão. 

Actualmente,uso as de tiracolo, mas os meus ombros têm dado sinal de que, mesmo com pouco peso, a idade está apesar e eles já não suportam peso.

Vindo o outono, mudo de modelo. Usarei enfiada no braço, com os mesmo objectos do cotidiano.

 

 

 

06
Set21

uma pessoa amada # 4

Maria Araújo

 

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imagem daqui

 

Amar uma pessoa, não tem de ser necessariamente alguém por quem nos apaixonamos.

Pondo de parte o amor pela família, há amigas e amigos que amo de coração.

A M é uma delas.Uma pessoa que está sempre presente para  os amigos. Tem os seus problemas, os filhos,a profissão,os pais. Tem duas irmãs,mas os pais só podem contar com ela.

Uma vida muito ocupada, aproveita os pequenos momentos do fim desemana  para me desafiar para jantar, comermos um hamburguer, uma pizza, darmos um passeio e conversar.

Depois há o J. 

Um homem simples, genuíno,com um humor que me agrada muito.

Raramente o vejo.

Por vezes, quando vinha ao centro da cidade tratar dos seus negócios e andava por perto da minha casa, ligava-me para tomarmos um café.

Gosto muito do o ouvir e ele gosta de me ouvir.

A pandemia veio tirar alguns prazeres destes encontros inesperados mas cheios de cumplicidade.

 

 

 

 

05
Set21

Um momento de coragem # 3

Maria Araújo

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Estrada  da Póvoa de Lanhoso - Braga, 17h30 da tarde, a chuva caía há mais de meia hora, meti-me a caminho de casa naquele dia de inverno, noite escurada carga de água que caíra um pouco antes de me meter a caminho de casa.

A estrada estava completamente encharcada, não se via nada, nem as linhas separadoras das vias da estrada.

O trânsito no sentido Braga- PVL não existia, mas nós precisávamos de chegar a casa.

Conduzia a 20 à hora, os meus olhos colados ao pára-brisas. Confesso que estava cheia de medo.

A minha colega de viagem estava pior que eu, dizia que não conseguiríamos chegar a Braga, talvez fosse melhor encostarmos à berma,numa das rectas da estrada, até passar algum carro que servisse de "guia".

Mas eu continuava,devagar, muito devagar.

Quando chegámos a Braga por todo o lado via-se água, água, água.

No túnel junto ao hotel Meliã, que eu esperava ver entupido, circulava-se bem para quem ia para o centro.

Do outro lado da faixa, junto à rotunda um rio de água seguia o seu percurso, frenético.

Na minha faixa estava mais calmo, até ao momento em que me aproximei da ponte por cima da rotunda, e um grande lago de água fazia com que os carros ficassem na fila para contorná-la, talvez porque se sentissem mais seguros. 

Eu teria de a subir, porque era o meu caminho, mas não via nenhum carro fazê-lo, até que, de repente, vi uma viatura sair da fila, fez viu-se um  splash de água por todo o lado,  subiu a ponte.

"Se ele conseguiu, eu também consigo", comentei com colega.

Senti algum receio,  a minha colega pedia para não a subir, não sabíamos como estaria do outro lado.

Enchi-me de coragem, passei aquele grande charco de água com muito cuidado e, devagar, subi a ponte.Quando a descemos, do outro lado da via o trânsito estava parado, e para nosso alívio não havia qualquer charco de água quando chegamos ao fim da descida.

"Foste corajosa meteres-te ao caminho, conduziste com cuidado e segurança, atreveste-te a subir a ponte. Oxalá nunca mais aconteça uma tempestade como esta, mas contigo estou segura." comentou.

Semáforos desligados, meti por uma rua com menos trânsito para deixar a colega no centro da cidade. A chuva parara, deixei-a no cruzamento da avenida e meti por outra, praticamente sem trânsito, e que dá acesso à minha rua.

Um suspiro de alívio, quando cheguei a casa. 

 

05
Set21

um lugar querido # 2

Maria Araújo

desafio da Ana

 

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a SIC ia transmitir para todo o país, e para quem não pôde estar "in loco" no Rock in Rio, o cantor da minha geração,  Bryan Adams.

Uma hora antes da transmissão, cansada da caminhada que fizera, decidi ver o  filme "The war of the roses", em DVD.

Mas adormeci...
Despertei ainda o filme passava.  Desliguei-o e liguei para a SIC.
Bryan Adams já estava em palco. 

Gosto muito de o ouvir e, quando passa na rádio, canto, oh, se canto! 

Não ouvi "The summer of 69" a canção que passa, e passará, por todas as gerações.

Onde estava eu no Summer of 69? Na que foi, até à idade adulta, a minha praia: Apúlia.

E lembro-me que tinhamos um rádio portátil azul, que levávamos para a praia e desfrutávamos do verão hippie da mudança, da minissaia, dos calções, do biquini, das serenatas, dos bailes no clube.

Inesquescível, Summer of 69, e outros que aconteceram desde então.

Hoje, apesar de não fazer praia em Apúlia, passeio por lá nos dias de sol de qualquer estação,que não seja o verão.

Apúlia, um lugar querido, um lugar que me traz lembranças maravilhosas sempre que lá vou  comer a tosta mista e beber o panachê.

05
Set21

uma memória feliz # 1

Maria Araújo

 desafio da Ana

 

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Sorriso

Na sala de espera do consultório, olhava o aparelho de televisão.

Uma paisagem asiática passava naquele momento. 

Prestei mais atenção.

No  canal Odisseia, passava um documentário sobre a vida de uma aldeia, que presumi ser no Vietname. Uma jovem mestiça explicava a vida na aldeia.

Uma senhora magra, vestida de calças, um lenço atado ao chapéu, apertado no seu queixo,  dizia que tinha perdido tudo: casa, móveis, campos, colheitas.

Observei as pessoas que estavam na sala de espera.  Embora o som não estivesse alto, todos os presentes, que antes olhavam o telemóvel, foram alertados pela voz do televisor.

Um idoso empurrava um carro carregado de madeira, e puxado por um boi. A magra senhora falava com o idoso e sorria, ao mesmo tempo que a se ouvia voz do comentador; " fazia aquela longa viagem diariamente da aldeia(...), transportava a madeira para a povoação".

 E a imagem fixava a magra senhora, sempre sorridente, ao mesmo tempo que falava com o idoso.

O idoso seguiu o seu caminho.

Ela ficou com a jovem mestiça.Esta fez uma perguntara à senhora que traduzida pelo comentador para portugês, foi:  "ficou sem nada e sempre com esse sorriso? ".

Emocionei-me. Fiquei feliz ver que uma  mulher humilde, com ar inocente, sorria apesar das adversidades da vida.

Gente pobre, vivendo da agricultura e que as cheias levaram tudo, inclusive a casa, mas o sorriso permanecia.

Ficou-me na memória este sorriso.

 

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