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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

20
Set21

uma fruta mordida # 20

Maria Araújo

pêra.jpg

 

detesto que depois de mordida a peça de fruta que estou a comer, me peçam uma trinca.

eu não o faço.

mas nos dias que correm, nem sempre dou a mordida que outrora dava.

hoje, lavo a fruta, e quando vou comê-la, tiro a casca.

mas numa  recente ida ao mercado municipal,  comprei, à habitual vendedora de legumes, umas pêras, que ela me garantiu serem muito boas, que caía o sumo pelo mãos de tão sumarentas e boas que eram, que aquelas eram as últimas, não teria mais para vender.

e em casa, depois de bem lavadas, e com a casca, dei uma dentada.

maravilhosas!

fizeram-me voltar atrás no tempo, onde,  numa  parte do terreno junto à empresa do meu avô paterno, tinha várias árvores de fruto:  pessegueiros, pereiras, macieiras. 

a fruta era tão boa, tão boa, que,  no caso das pêras e dos pêssegos, o sumo escorria pelo braço abaixo.

a semana passada, voltei ao mercado municipal, falei-lhe das pêras, respondeu-me ( tratando por tu):
- vistes! eu disse-te que pêras como aquelas não encontravas. e desconfiaste de mim!

 

20
Set21

uma tarde de domingo # 19

Maria Araújo

Ela sentia-se triste.

Fui a casa dela dar-lhe 

Desabafos que teve comigo, era preciso que ela saísse de casa.

Sugeri darmos um passeio pelo centro histórico, evitando passar nas ruas que tinham muita gente.

Andamos pela zona da Sé. E entramos na catedral..

Estava a começar a homília.

Já não me lembrava de ouvir uma homília tão sensível, tão real, tão actual.

O padre falou das pessoas doentes de cancro; dos idosos que querem morrer porque os filhos não os visitam, não querem saber deles; dos doentes paliativos; dos doentes em cuidados intensivos; da necessidade que há de as famílias e os amigos se aproximarem destes doentes e ajudá-los, dando-lhes companhia, alento,coragem para lutar.

Ela, ao meu lado, baixou a cabeça. Percebi que chorava.

As lágrimas vieram aos meus olhos, tentei evitar que caíssem pelo rosto.

É que uma das frases que o padre disse, tocou-nos às duas.

" A medicina está muito avançada. Hoje, há  medicamentos que tiram as dores físicas. Mas as dores da alma ficam".

Foi um aperto nos nossos corações,

Não ficamos para assistir à missa.

Saímos pela lateral, cantava-se o fado de Coimbra.

Ela esteve um ano a estudar em Coimbra. Adorava a cidade. Adorava Fado de Coimbra.

Só ouvimos dois,estava  no final.

E um foi dedicado ao Minho.

Despedimo-nos com um abraço.

Cada uma de nós foi para casa mais libertas, mais serenas.

fado.jpg

 

 

 

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