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o outro cantinho da Maria

este cantinho é um complemento ao cantinho da casa onde publicarei as minhas leituras, os desafios e as minhas fotografias.

o outro cantinho da Maria

23
Abr22

Dia Mundial do Livro

Maria Araújo

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Leio de tudo um pouco, e hoje, fui à estante escolher alguns dos livros que li há muitos anos, outros que são de leitura recente, e outros que esperam que os acabe de ler, como o de Helena Ferrante.

Estou fã daescrita de Rodrigo Guedes de Carvalho, comprei vários livros seus, vou comprar o que foi lançado há dias, que está com 10% de desconto na Bertrand, e 20% na FNAC.

Não tenho cartões, costumo comprar na Wook, mas há na família quem tenha e já pedi que compre o livro para mim.

Tenho livros que foram oferecidos e ainda não li, mas a verdade é que os meus olhos só podem ler com luz natural, o que nem sempre é possível, porque tenho os  meus afazeres, e à noite evito.

Tive a feliz ideia de aderir  a "o livro secreto" do desafio de leitura, que anda por cá desde 2015,  a Magda é CEO, e, brevemente, iremos para a V edição.

A leitura mensal não falha.  Os meus livros ficam para trás, mas os do desafio são prioridade.

 

.

 

15
Jan22

uma história de amor

Maria Araújo

este post da Isabel levou  a Ana a contar uma história.

E a Ana desafiou-nos também a contar a nossa.

Quero esclarecer que este texto foi retirado, e adaptado para este fim, de uma obra de ficção, escrita criativa, a quatro mãos, em 2008, e que resultou num "livro" guardado no nosso pc.

Gostei de recordar o que escrevi/escrevemos, passaram estes anos todos e pouco me lembrava da história que foi este senhor (o co-autor) que começou.

Então, fica a minha contribuição em " Queres casar comigo?"

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Enquanto esperava por Lúcia na Gare do Oriente, Alberto pensou naquele distante dia em que também a foi esperar ao comboio, nessa altura, em Santa Apolónia. Do almoço de então, da conversa, do nervosismo dela, também do passo decidido e ousado que ela resolveu dar.

Tinha-se saído muito bem no seu papel, tão bem que depois teve alguns convites para outros filmes. Recusou todos. Disse-lhe a ele, um dia, que só foi actriz por causa dele. Que quando o viu a primeira vez lá naquele cafezinho do Porto, ficou de tal maneira impressionada que iria com ele até ao fim do mundo. Por isso, e só por isso, se metera naquela aventura. Mas que a sua vida não era aquela. Queria ter uma vida estável, segura, sabendo sempre o que fazer no dia seguinte.

Agora com uma filha, quando Lúcia lhe disse isto já tinha a Maria Luís, sentia-se muito bem…Sentir-se-ia muito melhor com ele por perto. Mas também sempre soubera que isso não aconteceria. Bastava-lhe saber que ele continuava seu amigo, que aparecesse de vez em quando e que se interessasse pela filha. Agora…outros filmes, outras aventuras…definitivamente não!
O comboio entrou na gare, foi reduzindo a velocidade até parar.Começaram a sair os primeiros passageiros, os que saem sempre a correr, os que parece que já estão a correr ainda dentro do comboio, e, lá ao fundo, apareceu o vulto de Lúcia puxando a sua maleta. Menor que a outra de há uns anos, que quase não coubera no carro.

Alberto estava semi-encoberto a apreciá-la.Ela levantava a cabeça a ver se o via, um sorriso a iluminar o rosto onde brilhavam aqueles olhos que foram o que primeiro atraíram Alberto, já lá iam mais de onze anos.

De repente, ele apareceu-lhe à frente, abraçaram-se, ele levantou-a no ar, beijaram-se e ficaram assim uns momentos a olhar um para o outro, recebendo encontrões das outras pessoas.
- Estás mais novo! Mais bonito! Ficas ainda melhor assim sem a barba…
- Tenho que me defender…Já me apareciam muitos pêlos brancos, tenho de começar a tratar da minha imagem…- disse a sorrir, enquanto lhe pegava na mala e avançavam pela gare adiante.
- Deve ser para agradar às meninas…
- Também… Pelo menos parece-me que gostaste deste meu novo visual. E a Maria Luís, como ficou?
- Triste, coitada. Bem queria ter vindo.
- Calculo. Também tenho muitas saudades dela. Mas dentro de pouco tempo voltarei e vamos ficar uns dias juntos os três.
- E tu, sentes-te bem? Falas sempre de mim, da filha e nunca de ti… Como te sentes?
- Eu estou bem, Alberto. Já te disse várias vezes. Ando bem com a vida, acho que sempre andei. Melhor…só se tu estivesses mais perto…mas isso já tu sabes.
Fez-se um silêncio.

Entretanto, meteram-se num táxi que os levou ao hotel.
- Vamos ao hotel, descansas um pouco, depois vamos jantar. Já marquei mesa, calcula onde?
- Gostava mais de ficar contigo no hotel, agarradinha a ti a ouvir as tuas histórias, aquelas histórias que só a ti acontecem, ou que só tu inventas…
- Estás a chamar-me mentiroso, ou inventor…
- Não. Estou a dizer que te amo, ou ainda não entendeste?
- Entendi. Mas gosto de ouvir isso.

O restaurante não ficava muito longe do hotel. De mãos dadas, foram a pé. Era o mesmo onde há onze anos atrás tinham ido jantar. Ficava num dos bairros de Lisboa. Um espaço pequeno onde, naquela altura, se comia muito bem, esperava ele que nada tivesse mudado.
- Lembras-te como vinhas vestida? Parecias uma cereja…
- Que tu terias comido de boa vontade…
- Eu?!
- Tu e as tuas estatuetas…
Alberto soltou umas das suas risadas.
- Sabes que ainda não tinha ouvido essa gargalhada? E estava com saudade.
- Não tenho rido muito ultimamente…
- Porquê? Andas triste?
- Não direi triste. Mas ando esquisito. Chateado, talvez…
- Com alguma coisa ou com alguém?
- Não sei, acho que comigo, com a vida. Ando saturado. Estou a precisar de fazer qualquer coisa de diferente.
- Mas tu sempre adoraste a vida que levas…Pelo menos sempre disseste isso.
- Sim, sempre fiz o que gosto, mas cheguei a um ponto em que já não tenho o mesmo interesse. Devo estar a ficar velho… Estou mesmo a ficar velho… O que até é uma verdade. Acho que é uma necessidade de mudança. Mudança de vida, mudança de interesses, mudança de ares talvez, também. Vou dizer-te uma coisa…
De repente, ele aperta a mão dela com força, aponta para a calçada onde alguém teria vincado na pedra a pergunta," Queres casar comigo?".
Ela olha o chão, dá uma gargalhada, e responde " Quero!"
Acabaram os dois a rir, de braço dado, de tal maneira que as pessoas que com eles se cruzavam também sorriram ao ver aquela boa disposição.

 

06
Nov21

o outro texto

Maria Araújo

e a imagem que seria da semana passada, do desafio da Fátima.

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Recebera de presente de aniversário um quadro de Almada Negreiros que para ela simbolizava a sua profissão, a sua altivez, a sua forma de conquistar os homens.
Modelo de profissão, viajava pela Europa e América, conhecia os bastidores da moda, a invejas de umas colegas, as fraquezas de outras, a superioridade de algumas.
Desfilar não era difícil, difícil era o que se passava antes, na preparação do desfile. Ela sentira isso, durante muito tempo. Mas a experiência também lhe dizia que as horas de ensaio, da maquilhagem e dos penteados, valiam o esforço. Era paga , e bem paga, para isso, embora a vontade de descansar, por vezes, fosse mais forte. Tinha alturas que aterrava em Paris, ou Milão, wherever, acabava o desfile, entrava noutro avião para Nova Iorque, Rio , enfim, o mundo da moda não parava.
Era uma mulher bonita, moderna, confiante, sedutora e altiva, gostava de flirtar os homens, mas nunca se apaixonara por nenhum. Nem tinha tempo, pensava ela.
Numa semana de descanso, antecipou a viagem para o Brasil, ia desfrutar de São Paulo, onde desfilara várias vezes, mas sem tempo para conhecer a cidade.
E foi num desses dias, quando bebia um cocktail, sentada num balcão do hotel onde se acomodara, que o viu.
Os olhos encontraram-se.
Confiante, levantou o copo e sorriu.
Ele aproximou-se. E apresentou-se.
Ela convidou-o a sentar-se ao seu lado.
Sentia-se bela, sedutora, capaz de conquistar aquele homem que emanava charme e segurança, como ela gostava.
Ele pediu uma bebida, sugeriu ocuparem uma mesa lá fora, no jardim do hotel.
E a conversa rolou como se conhecessem há muito tempo.
Fez-lhe perguntas, ela respondeu.
Ele estava ali em negócios, era baiano, vivia no Rio, viajava por todos os cantos do mundo.
Puxou da cigarreira, ofereceu-lhe um cigarro.
Ela agradeceu. Não fuma.
Levava o cigarro à boca, formavam-se duas covinhas. Ela gostou. E ele expelia o fumo com classe.
Este gesto era demasiado tentador. Achou-se capaz de o conquistar.
E numa atitude atrevida, tirou-lhe o cigarro e levou-o à sua boca .
Era o flirt esperado.
E recordou aquele quadro de Almada Negreiros que tinha na parede da sala.

 

 

 

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